ENTREVISTA - Agrotóxico: hardcore até no nome

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Um dos diferenciais do Roça ‘n’ Roll é a diversidade de estilos dentro da música pesada. Além das tradicionais bandas de Hard e Heavy Metal, o festival destaque apresentações de grupos de Punk Rock e Hardcore. Este ano, o representante desse estilo caracteristicamente anti-sistema é o Agrotóxico. Formado Jeferson (baixo/vocal), Marcos (guitar/vocal), Arthur (guitarra) e Pedro (baterra) a banda foi formado em 1993, na periferia de São Paulo e ganhou o mundo em turnês pela Alemanha, Hungria, Holanda, Suíça e Portugal. Com seis discos e um vídeo documentário no currículo, o Agrotóxico aporta pela primeira vez em Varginha para a 12ª expedição do Roça ‘n’ Roll. O guitarrista Marcos Abreu falou mais sobre a carreira do grupo e da expectativa para o festival.

 

1 - Agrotóxico! Esse nome é bem forte! A agressividade do nome é uma extensão da musicalidade do grupo?
Marcos Abreu - É um nome simples e forte que dá a idéia de uma música nos mesmos moldes. É difícil imaginar uma banda com um nome desses tocando musiquinhas sobre amores não correspondidos ou crises adolescentes, portanto, o nome pode dizer quem é a banda.

2 - Tocar Hardcore não é tarefa fácil em um país onde a grande mídia considera CPM 22, Detonautas, entre outros, como HC. Como está aceitação do Agrotóxico na cena nacional nesse emaranhado de estilos sazonais?
Marcos Abreu - Cara, a bem da verdade o Agrotóxico é uma banda assumidamente hardcore na acepção da palavra, ou seja, o hardcore como uma derivação do punk rock que deu início à música punk. Bandas como as citadas não pertencem a essa cena e acho que nunca quiseram pertencer, elas fazem um som com uma pegada californiana e letras açucaradas que acabou recebendo, de maneira equivocada, esse mesmo rótulo, embora não seja um som agressivo como é o significado do termo HC.
É claro que para grande mídia o que importa é o que vende (ou o que se vende) e, portanto, essas bandinhas ridículas tais como as produzidas pelo Rick “Bombadinho” ao se intitularem hardcore, fazem com que a grande maioria das pessoas, totalmente desconhecedoras da cultura underground, acredite nessas definições musicais estúpidas e sem sentido. Enfim, eles vieram dos condomínios e vão sumir quando o sucesso acabar, nós somos uma banda da rua e que não depende de sucesso e, portanto, continuará aqui pra contar a sua história.

3 - São Paulo sempre teve muita tradição em punk e HC. De São Paulo, surgiram grandes nomes como Garotos Podres, RDP, Cólera etc. E atualmente, como anda a cena alternativa no estado?
Marcos Abreu - Desde que participamos ativamente da cena, e já faz muito tempo, ela sempre teve altos e baixos. Sempre aparece uma nova leva de bandas, os shows começam a encher mais, discos são lançados etc. Entretanto, passa algum tempo e você realmente percebe que nem todo mundo veio pra ficar e a cena volta ao estágio anterior. Felizmente, em São Paulo, as coisas possuem um mínimo de organização. Há bons lugares pra tocar, pessoas ativas e bandas honestas, isso faz com que, mesmo atualmente, em que a cena não está nos seus melhores dias, ela permaneça viva e esperando por dias melhores que certamente virão.

4 - O estilo de vida “Do It Yourself” ainda é algo viável e praticado para o Agrotóxico?
Marcos Abreu - Acho que esse pensamento é o coração da banda e o que faz ela ainda estar viva após 17 anos. Fazemos tudo movidos por ideais sinceros e mediante nosso esforço e o de pessoas que nos cercam e que possuem esses mesmos ideais. Sempre estivemos envolvidos na organização de nossos shows, lançamos nossos próprios discos, organizamos nossas turnês, etc. e isso faz com que banda mantivesse intocadas suas convicções e princípios.

5 - Os quase 20 anos de carreira e os sete lançamentos mostram que a banda leva a carreira com muita seriedade. Isso tudo é resultado da persistência da banda e amor ao underground? O que recomenda para as bandas iniciantes?
Marcos Abreu - Sim, sem dúvida. O que para muitos é uma fase passageira, para nós é um estilo de vida, algo muito maior que apenas música. O amor à contracultura, ao underground e, é claro, à música, fez e ainda faz com que a banda siga em frente e procure condições cada vez melhores. Para as bandas iniciantes, o que recomendamos  é apenas persistência e capricho, procurar fazer as coisas com dedicação e qualidade que mais hora ou menos hora os resultados aparecerão.

6 - Acha que ainda é possível fazer um trabalho artístico engajado na luta “anti-sistema” pelo bem do ser humano?
Marcos Abreu - Eu acho que aquele discurso de destruição do sistema é algo simbólico. O punk é uma cena cultural alternativa e um estilo de música, e como tal, tem suas limitações. Porém, é fato que o engajamento na cena faz com que as pessoas se libertem de dogmas e preconceitos e cultivem a liberdade de expressão, o livre arbítrio e o espírito revolucionário e se nossa música fizer isso para ao menos uma pessoa, estaremos satisfeitos.

7 - Os shows de HC sempre são recheados de agitação! O que estão preparando para a apresentação no Roça ‘n’ Roll?
Marcos Abreu - Os ingredientes básicos de um show hardcore: Energia, simplicidade, velocidade, pouco blábláblá e esperamos total interação com o público.

8 - Acha interessante o formato do festival de reunir no mesmo evento grupos de estilos diferentes dentro da música pesada?
Marcos Abreu - Acho excelente! Pra falar a verdade nunca imaginei que tocaríamos no evento e estamos muito empolgados com esse convite. Admiramos e somos amigos de muitas bandas metal como Musica Diablo, Claustrophobia, Imminent Chaos e o próprio Torture Squad – cujo guitarrista Augusto Lopes, aliás, foi técnico de som em nosso último CD – e assim, será um prazer dividir o palco com grandes músicos e bandas, que independente do estilo específico, têm em comum o amor por guitarras distorcidas.
Aproveitamos a deixa para fazer coro a várias mensagens que temos recebido nas últimas semanas. Este ano o Agrotóxico vai mostrar que o hardcore merece ainda mais espaço na cena, e temos certeza que, com mais bandas hardcore nos próximos Roças, o público e o evento só terão a ganhar.

9 - O Agrotóxico toca no dia 12 de junho em Varginha. Qual é a proposta da banda para imortalizar essa data na mente dos fãs de punk e HC da região?
Marcos Abreu - Nossa maior intenção é fazer um show vibrante, intenso e cheio de energia para agradar não só aos fãs de HC, mas, sobretudo a todos os fãs de música pesada. Para nós, não há separação entre bandas ou entre públicos. Somos todos um só!

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